ABC | Volume 107, Nº5, novembro 2016 - page 11

Editorial
Steffel et al.
O ano de 2015 na cardiologia: arritmias e terapia com dispositivos
Arq Bras Cardiol. 2016; 107(5):385-391
foram submetidos a mapeamento epicárdico e eletrogramas
anormais do ventrículo direito foram identificados em todos
eles. A ablação por cateter normalizou o ECG e aboliu as
alterações eletrocardiográficas típicas pré-existentes induzidas
por flecainide. Entretanto, apesar de todo o entusiasmo, não
está claro se esses efeitos da ablação têm um impacto ou não
sobre a TV espontânea / fibrilação ventricular (FV) e/ou risco
de morte súbita cardíaca. As novas Diretrizes da ESC para o
tratamento de arritmias ventriculares e prevenção da morte
súbita cardíaca foram apresentadas durante o congresso da
ESC em Londres.
35
Essas diretrizes fornecem um resumo estado
da arte atualizado do conhecimento atual e as melhores
práticas de tratamento neste campo.
Dispositivos cardíacos eletrônicos
Marcapassos sem eletrodos
Uma das principais tendências em dispositivos cardíacos no
ano de 2015 foi omovimento contínuo emdireção ao abandono
de eletrodos intravasculares. Depois de um início inicialmente
tedioso, marcapassos de câmara única semeletrodos finalmente
chegaram à prática clínica diária. Os resultados iniciais de
140 pacientes que receberam o sistema de marcapasso sem
eletrodos Medtronic MICRA demonstraram um perfil de
eficácia e segurança favorável.
36
Durante um seguimentomédio
de 1,9 ± 1,8 meses (isto é, abrangendo principalmente os
períodos perioperatório e pós-operatório imediato), nenhum
evento adverso grave imprevisto relacionado ao dispositivo foi
observado, incluindo deslocamento do dispositivo e apenas
um derrame pericárdico sem tamponamento (resultando em
hospitalização prolongada). Digno de nota, o último caso
ocorreu em um paciente no qual o dispositivo necessitava ser
reposicionado repetidamente (18x). Na maioria dos pacientes
(81%), no entanto, o dispositivo estava adequadamente
posicionado com nenhum ou apenas um reposicionamento.
Durante o seguimento, os valores elétricos, incluindo limiares de
estimulação, impedância, e detecção permaneceram estáveis e
favoráveis, resultando em uma longevidade de bateria prevista
de 12,6 anos (intervalo de 8,6-14,4 anos).
36
Como resultado
dessas descobertas, o sistema MICRA recebeu a marca “CE”
(Conformidade Europeia) no verão de 2015, seguida por
Figura 1 –
Morfologia do eletrocardiograma de doze derivações de diferentes locais de origem em taquicardia ventricular idiopática. VSVD: via de saída do ventrículo
direito; CCD: cúspide coronária direita; com D-E: comissura entre as cúspides coronarianas direita e esquerda; CCE: cúspide coronariana esquerda; CAM: continuidade
aortomitral; VT: anel da válvula tricúspide; VM: anel da válvula mitral; MPA: músculo papilar anterior; MPP: músculo papilar posterior; FPE: fascículo posterior esquerdo;
FAE: fascículo anterior esquerdo; VCM: veia cardíaca maior; VIA: veia interventricular anterior. Reproduzido de Tanawuttiwat et al.;
25
reimpresso com permissão de
Tanawuttiwat et al.
25
Essa figura foi reimpressa com permissão da Oxford University Press, em nome da Sociedade Europeia de Cardiologia.
TV na via de saída
VSVD CCD
CCE CAM
VM
MPP
MPA
Moderator
Band
VT
VCM
FPE FAE
VIA
Com
D-E
TV epicárdica
TV perivalvular
TV intracavitária
TV fascicular
387
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