ABC | Volume 107, Nº5, novembro 2016 - page 18

Artigo Especial
Pastore et al
III Diretrizes SBC para laudos eletrocardiográficos
Arq Bras Cardiol. 2016; 107(5):392-402
Análise das arritmias ventriculares
Arritmias ventriculares
Parassístole ventricular
– Batimento originado em um
foco no ventrículo que compete com o ritmo fisiológico do
coração (marca-passo paralelo que apresenta bloqueio de
entrada permanente e de saída ocasional).
Ritmo idioventricular de escape
– Ritmo com FC <
40 bpm, originado no ventrículo em substituição a ritmos
anatomicamente mais altos inibidos temporariamente.
Batimento(s) de escape ventricular(es)
– Batimento(s)
de origem ventricular, tardio(s) por ser(em) de suplência,
consequentes à inibição temporária de ritmos anatomicamente
mais altos.
Ritmo idioventricular acelerado
(RIVA)
– Origina-
se no ventrículo (QRS alargado) em consequência a um
automatismo aumentado, com FC > 40 bpm.
Extrassístole ventricular
(EV)
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Batimento originado
precocemente no ventrículo, com pausa pós-extrassistólica,
quando recicla o intervalo RR.
Batimento de fusão
– Originado no ventrículo, funde-se
com o batimento do ritmo fisiológico do coração.
Captura de batimento(s) supraventricular(es) durante
ritmo ventricular
– Originado no átrio, consegue ultrapassar
o bloqueio de condução (anatômico ou funcional) existente na
junção AV e despolarizar o ventrículo de modo total ou parcial.
Taquicardia ventricular monomórfic
a
sustentada
(TVMS)
– Ritmo ventricular com pelo menos três batimentos
sucessivos, morfologia uniforme e frequência > 100 bpm.
Taquicardia ventricular polimórfica
– Ritmo ventricular
com QRS de morfologia variável e frequência > 100 bpm.
Taquicardia ventricular tipo Torsades de Pointes
(TdP)
– Taquicardia com QRS largo, polimórfica, geralmente
autolimitada, com QRS que “gira” em torno da linha de base.
Taquicardia bidirecional
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Taquicardia de origem
ventricular que ao se conduzir pelo ventrículo apresenta
bloqueio constante do ramo direito (raramente o bloqueio
é de ramo esquerdo [BRE]) e com bloqueio alternado das
divisões anterossuperior e posteroinferior do ramo esquerdo,
batimento a batimento.
Fibrilação ventricular
(FV)
– Caracteriza-se por ondas
bizarras, caóticas, de amplitude e frequência variáveis. Este
ritmo pode ser precedido de TV ou TdP que degeneraram
em FV.
Condução atrioventricular
Relação atrioventricular (AV) normal
– O período do
início da onda P ao início do QRS determina o intervalo PR,
tempo no qual ocorre a ativação atrial e o retardo fisiológico
na junção AV, cuja duração é de 120 ms a 200 ms.
Atraso da condução atrioventricular
18,19
Ocorre quando
os impulsos atriais sofrem retardo ou falham em atingir os
ventrículos.
Bloqueio atrioventricular de primeiro grau
– Intervalo
PR > 200 ms em adultos, para uma FC de 60 a 90 bpm.
Bloqueio atrioventricular de segundo grau tipo I
(Mobitz I)
– O alentecimento da condução AV nesta situação
é gradativo (fenômeno de Wenckebach). Existe um aumento
progressivo do intervalo PR, com acréscimos gradativamente
menores, até bloqueio da condução AV e impedimento na
condução do batimento atrial.
Bloqueio atrioventricular de segundo grau tipo II (Mobitz II)
Há uma claudicação súbita da condução AV. Nota-se condução AV
1:1comintervaloPRfixoe,repentinamente,umaondaPbloqueada.
Bloqueio atrioventricular 2:1
– Para cada dois batimentos de
origem atrial, um é conduzido e despolariza o ventrículo, e outro é
bloqueado e não consegue despolarizá-lo.
Bloqueio atrioventricular avançado ou de alto grau
– Há
condução AV em menos da metade dos batimentos atriais, em
proporção 3:1, 4:1, ou maior.
Bloqueio atrioventricular de terceiro grau ou total
(BAVT)
– Os estímulos de origem atrial não conseguem chegar
aos ventrículos e despolarizá-los; destamaneira, um foco abaixo da
região do bloqueio assume o ritmo ventricular. Não existe, assim,
correlação entre a atividade elétrica atrial e ventricular, o que se
traduzpor ondas Pnão relacionadas aoQRS. A frequênciado ritmo
atrial é maior que a do ritmo de escape.
Bloqueio atrioventricular paroxístico
– Ocorrência súbita e
inesperada de uma sucessão de ondas P bloqueadas.
Pré-Excitação
Pré-excitação ventricular
– São características do padrão
clássico: intervalo PR<120ms durante o ritmo sinusal emadultos,
e<90ms emcrianças; entalhedaporção inicial docomplexoQRS
(onda delta) interrompendo a onda P ou surgindo imediatamente
após seu término; duração do QRS > 120 ms em adultos e > 90
ms em crianças; alterações secundárias de ST e T.
Outros Mecanismos de Alteração da Relação AV Normal
Dissociação AV
– Ocorrem dois ritmos dissociados, um de
origem atrial (geralmente sinusal e com PP regular) e outro de
origem juncional ou ventricular. A frequência desses focos pode
ser similar (dissociação isorrítmica).
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Ativação atrial retrógrada
– O átrio é ativado a partir de um
estímulo ventricular, com condução retrógrada, geralmente pelo
nó AV ou por uma via anômala. Observa-se QRS alargado (origem
ventricular), seguido de onda P negativa nas derivações inferiores.
Sobrecargas das câmaras cardíacas
Sobrecargas Atriais
Sobrecarga atrial esquerda (SAE)
Aumento da duração
da onda P ≥ 120 ms, associado ao aparecimento de entalhe na
derivação D2, e onda P com componente negativo aumentado
na derivação V1 (índice de Morris).
Sobrecarga atrial direita (SAD)
A onda P apresenta-se
apiculada, com amplitude acima de 0,25 mV ou 2,5 mm e,
na derivação V1, apresenta porção inicial positiva > 0,15 mV
ou 1,5 mm.
Sobrecarga biatrial
(SBA)
Associação dos critérios de
SAE e SAD.
394
1...,8,9,10,11,12,13,14,15,16,17 19,20,21,22,23,24,25,26,27,28,...128
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