ABC | Volume 107, Nº5, novembro 2016 - page 23

Artigo Especial
Pastore et al
III Diretrizes SBC para laudos eletrocardiográficos
Arq Bras Cardiol. 2016; 107(5):392-402
Síndrome do QT longo congênito
46
Sua principal
característica é o prolongamento do intervalo QTc ao ECG,
com valores > 460 ms. Clinicamente, a presença de síncope
ou parada cardiorrespiratória desencadeada por estresse
emocional e físico deve aventar a hipótese da síndrome do
QT longo (LQT). São características ao ECG:
a) LQT1: onda T normal, de base larga e início tardio.
b) LQT2: onda T de baixa amplitude.
c) LQT3: onda T tardia, após ST longo e retificado.
Síndrome do QT curto
47
Entidade descrita recentemente
(em 2000), caracterizada pelo achado de intervalo QT curto
associado à FA e morte súbita cardíaca. O defeito genético
dessa condição é o aumento da função dos canais de potássio,
que atuam na fase 3 do potencial, levando ao encurtamento
do intervalo QT, relacionado principalmente aos genes
KCNH2
,
KCNQ1
e
KCNJ2
. Ao ECG observa-se um intervalo
QTc curto (< 370 ms) e uma distância entre ponto J e o pico
da onda T < 120 ms.
Síndrome de Brugada
48,49
Canalopatia que se expressa
por defeito dos canais de sódio no epicárdio do ventrículo
direito (VD), acometendo predominantemente o sexo
masculino e indivíduos com história de morte súbita familiar.
Essa síndrome tem transmissão autossômica dominante e é
responsável por 20% das mortes súbitas com coração normal
à autópsia. É uma condição geneticamente heterogênea, com
envolvimento de pelo menos 13 genes. Ao ECG, caracteriza-se
por elevação do ponto J nas derivações V1 e V2, com duas
apresentações possíveis:
a) padrão tipo 1: elevação em cúpula do segmento ST ≥
2 mm, seguido de inversão de onda T, com significativo
descenso lento de R´.
b) padrão tipo 2: elevação em sela do segmento ST com
ápice ≥ 2 mm e base da sela ≥ 1 mm.
Taquicardia catecolaminérgica
50
Devem levantar
suspeita para esta doença: história de morte súbita na família
com relato de síncopes desde a infância e adolescência,
associada a extrassístoles ventriculares com FC entre 110 e
130 bpm, geralmente isoladas, intermitentes, bigeminadas e
pareadas, que geralmente interrompem com o aumento da
FC. Aproximadamente 30% dos indivíduos podem apresentar
intervalo QT entre 460 ms e 480 ms. Entre 50 a 60% dos casos
de taquicardia ventricular polimórfica (TVP) catecolaminérgica
derivam de mutações hereditárias ou esporádicas nos canais
de rianodina, responsáveis por regular o cálcio intracelular.
Doenças Genéticas comAcometimento Cardíaco Primário
Displasia arritmogênica de ventrículo direito
51
Doença
genética com acometimento primário do VD (substituição
dos miócitos por tecido fibrogorduroso), associada a arritmias,
insuficiência cardíaca e morte súbita. Ao ECG, caracteriza-se
pela presença de atraso final da condução do QRS com baixa
voltagem e maior duração (onda épsilon, presente em 30% dos
casos), associado a ondas T negativas de V1 a V4, arredondadas
e assimétricas. Associação com extrassístoles de origem no VD.
Miocardiopatia hipertrófica
52
Doença primária
do coração, de base genética com herança autossômica
dominante, com 23 mutações genéticas descritas. Ocorre
acentuada hipertrofia ventricular segmentar ou difusa.
O ECG está alterado em pelo menos 75% dos pacientes, com
boa sensibilidade para a faixa pediátrica. Caracteriza-se pelo
encontro de ondas Q rápidas e profundas em derivações
inferiores e/ou precordiais, em geral associadas a sinais
clássicos de SVE e acompanhadas de alterações características
de ST-T.
Doenças genéticas com acometimento cardíaco secundário
Distrofia muscular
53
Os achados mais comuns ao ECG
são a presença de onda R ampla (relação R/S > 1) em V1 e
V2; onda Q profunda em V6, DI e aVL; atraso de condução
pelo ramo direito; complexos QS em I, aVL, D1, D2 e D3; e
alterações da repolarização ventricular.
Alterações eletrocardiográficas em atletas
A Importância do Eletrocardiograma do Atleta –
54,55
Atualmente, é necessário o entendimento do “ECG do
atleta”, ou seja, alterações eletrocardiográficas decorrentes
do treinamento de alta
performance
, sem a presença
necessária de alterações anatômicas e/ou estruturais, e
consideradas como parte do “coração de atleta”.
Alterações eletrocardiográficas comuns ou relacionadas
com o treinamento
a) bradicardia sinusal.
b) arritmia sinusal fásica ou respiratória.
c) aumento do intervalo PR.
d) aumento da voltagem de ondas R ou S entre 30 a 35
mm.
e) alteração da repolarização ventricular, tipo
repolarização precoce.
f) atraso de condução pelo ramo direito.
g) bloqueio AV de segundo grau tipo Mobitz I.
h) padrão de sobrecarga ventricular somente por critérios
de voltagem (Sokolow-Lyon).
Caracterização de situações clínicas especiais/
sistêmicas
Condições clínicas que alteram o eletrocardiograma
Ação digitálica –
Depressão de ST-T de concavidade
superior (onda T “em colher”) e diminuição do intervalo
QTc. Várias arritmias podem ocorrer na intoxicação digitálica,
porém há predomínio da extrassistolia ventricular.
Alterações de ST-T por fármacos –
Aumento do intervalo
QTc.
Alternância elétrica –
Presença de QRS com amplitudes
alternadamente maiores e menores em QRS sucessivos.
Alternância da onda T –
Caracteriza-se por uma variação
episódica ou permanente da amplitude, formato e orientação
da onda T, batimento a batimento.
Comunicação interatrial –
Atraso final de condução pelo
ramo direito e possível associação com SVD.
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