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Arquivos Brasileiros de Cardiologia
Seção João Tranchesi de Eletrocardiografia
A Eletrocardiografia tem demonstrado
durante seus 100 anos de vida que é uma importante ferramenta
para auxiliar os cardiologistas. Já conhecida por sua
excelência nas arritmias e na insuficiência coronária
aguda, observamos atualmente a sua participação nos métodos
diagnósticos para prever a morte súbita. A informatização
do eletrocardiograma forneceu medidas mais corretas, agilizou
a obtenção das informações, integrou-as, facilitando assim
a interpretação. Analisar um eletrocardiograma com cuidado,
extraindo o melhor possível, é um desafio diário para o
cardiologista clínico . A finalidade desta seção é
estimular a discussão, procurar novos detalhes nos traçados
que se correlacionem com a clínica, definir padrões
característicos, pois após tantos anos, ainda temos a
sensação que sempre existirá alguma novidade no
eletrocardiograma.
Dr.Carlos Alberto Pastore
Presidente do Grupo de Estudos de Eletrocardiografia da SBC
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DADOS
CLÍNICOS:
Paciente masculino, 8 a.
Paciente com queixas de dor precordial atípica e
astenia procurou ao cardiopediatra para avaliação. Não
havia referência de sintomas de cianose, insuficiência
cardíaca ou síncope. O exame clínico foi normal. O
ECG na consulta apresentava ritmo sinusal e BAVT, RX
de tórax e ecocardiograma normais.
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Discussão
- Grupo de Estudos de Eletrocardiografia
Dr.Carlos Alberto Pastore
e-mail: ecg_pastore@incor.usp.br
DESCRIÇÃO
DO ECG
ECG1: Bloqueio AV-total com freqüência atrial de 75
bpm e eventual condução retrógrada ventrículo-atrial.
Freqüência e duração dos complexos QRS, 45 bpm e
0,10s, respectivamente.
ECG2: Apresenta PR=0,08s e QRS=0,16s com onda delta
caracterizando pré-excitação ventricular e posição
da via anômala lateral esquerda.
VCG: pré-excitação apresenta onda delta com porção
inicial lentificada orientada para baixo, frente e
esquerda sugerindo a presença de via acessória
lateral esquerda.
COMENTÁRIOS
Vários casos clínicos descritos na literatura exibem
a coexistência de distúrbio de condução AV pelas
vias normais (VN) e vias anômalas (VA), havendo, na
maioria deles, distúrbio de condução também pela
VA. Uma explicação para o fenômeno seria o fato de
as vias estarem próximas anatomicamente ou até
ligadas às VN de condução, e o mesmo processo patológico,
geralmente adquirido, poderia então afetar ambas as
vias. O caso apresenta uma criança sem doenças sistêmicas
ou estruturais do coração, sem história pregressa
de processo traumático ou iatrogênico que pudesse
interferir sobre as VN de condução. Acredita-se,
assim, tratar-se de um BAVT de natureza congênita. A
VA sugere ser de localização lateral esquerda,
anatomicamente distante, portanto, das VN de condução.
Também, é provável que a condução retrógrada
oculta tenha interferido na condução pela VA, vista
que a freqüência atrial era bem maior do que a de
escape ventricular BAVY. Além disso o paciente
apresentou subitamente condução através da VA, sem
alteração da freqüência atrial na fase de repouso
inicial do teste ergométrico. A explicação mais
adequada seria realmente a influência do sistema
nervoso autônomo sobre as propriedades eletrofisiológicas
na VA, a qual mostrou ter condução precária em
situações basais (por alguma razão intrínseca ou
mesmo por desproporção geométrica).
CONCLUSÃO
Wolff-Parkinson-White com BAV total.
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