Home
 Corpo Editorial
 Informações aos Autores
 Educação Médica
 Artigos de Atualização
 PEC - SBC
 Banco de Teses
 Diretrizes
 Galeria dos Editores
 Fale aos Editores
 Edições Anteriores
 Links
 Cadastre-se
TÚNEL DO TEMPO
 Arquivos de Ontem-Hoje
Veja nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia o artigo do Dr. Noberto Galiano publicado em 1972 e o comentário do Dr. Luiz Alberto Mattos
 Sócio da SBC, utilize
 seu e-mail e senha
 do Cardiol. 
   
 email:  
 senha:  
 Está com dúvidas?

   

 Não Sócio da SBC: caso
 ainda não tenha se
 cadastrado, clique no
 botão abaixo.
Assista à entrevista do
Prof. Stans Murad Netto que preparamos para você.
 TÓPICOS DA HISTÓRIA DA CARDIOLOGIA
Veja Aqui a História da Cardiologia.

Grupo de Estudos de Eletrocardiografia da SBC. Confira o ECG do mês.

 PRÁTICA CLÍNICA
BASEADA EM EVIDÊNCIAS 
Veja Aqui os artigos de prática clínica.
 PESQUISA

Você solicita teste de esforço ou cintilografia miocárdica de rotina na avaliação pré-operatória
de cirurgia não cardíaca em pacientes acima de 45 anos
?

sim
não

Na sua prática clínica em cada 100 pacientes com IAM quantos apresentam IAM com supra de ST?
< 20 %
20-40 %
40-60 % 
> 60 %

  Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Seção João Tranchesi de Eletrocardiografia


SÍNCOPE EM JOVEM ASSINTOMÁTICO
Dr. Carlos Alberto Pastore

São Paulo, SP 

Um paciente de 28 anos, do sexo masculino, com sindactilia, assintomático até então, procurou o serviço médico com queixa de síncope aos esforços. 
Devido à síncope, foi realizado eletrocardiograma (ver figura).
O traçado do ECG mostra ritmo sinusal, com freqüência de 68 bpm. A onda P encontra-se negativa em DII, DIII e aVF, sugerindo ritmo ectópico atrial. O eixo de QRS apresenta-se desviado para a direita, sugestivo de sobrecarga de ventrículo direito, embora não haja desvio do eixo para frente (sem R em V1). Não há progressão da onda R em plano horizontal, o que talvez possa ser atribuído a uma área inativa anterior extensa. Aumento de voltagem da onda S em plano horizontal indica desvio do eixo para trás. Nota-se a presença de supradesnivelamento ST-T em derivações precordiais V2, V3, V4 e V5. 


Qual o diagnóstico que este ECG sugere?
 a) Sobrecarga de ventrículo direito 
 b) Área inativa anterior extensa
 c) Miocardiopatia hipertrófica 
 d) Variante da Normalidade 
 e) Outra 

Comentários:
As alterações eletrocardiográficas foram atribuídas a uma patologia rara denominada miocardiopatia não compactada forma isolada (Isolated Ventricular Noncompaction - IVNC). 

A IVNC foi definida como uma anormalidade morfogenética que envolve a falta de compactação da malha de fibras miocárdicas trabeculadas durante a vida intra-uterina. O miocárdio durante o início da formação cardíaca é consistido de uma estrutura trabeculada frouxa e com recessos, o que é favorável para o seu desenvolvimento, já que permite ao ventrículo ganhar massa mesmo com uma vascularização ainda inconsistente. A compactação ocorre preferencialmente em direção à superfície epicárdica, enquanto que, em direção ao endocárdio, a falta de compactação cria recessos intratrabeculares que se comunicam com o endocárdio e o interior da cavidade ventricular. No desenvolvimento normal, o miocárdio sofreria compactação e os recessos intertrabeculares seriam reduzidos a capilares.

A IVNC não é conseqüência de nenhuma outra mal-formação ou anormalidade hemodinâmica do coração, ou seja, a IVNC parece ser uma cardiomiopatia congênita distinta, embora ainda seja considerada por muitos como pertencente ao grupo das cardiomiopatias não-classificadas.

A causa exata da IVNC ainda é incerta. Existem associações com causas genética, justificando o padrão hereditário observado em muitos casos da doença e preconizando investigação familiar quando um caso é notificado.

Os estudos relacionados à prevalência e à progressão da doença ainda são limitados (o maior estudo foi realizado por Oechslin e col., em 2000, com 34 pacientes), mas acredita-se que seja uma doença rara, com prognóstico ruim . Contudo, é possível que a prevalência da doença esteja subestimada, já que os sintomas podem ser tardios ou ausentes, o diagnóstico só é confirmado por ecocardiograma e pode ser confundido com miocardiopatia dilatada ou mesmo hipertrófica.

A desordem miocárdica caracteriza-se pela presença de trabeculações proeminentes e recessos intertrabeculares profundos, preenchidos por sangue proveniente da cavidade ventricular esquerda; geralmente a função sistólica está prejudicada,

Apesar de ser congênita, as manifestações serão dependentes da extensão do comprometimento ventricular, da progressão da dilatação e da disfunção secundária à isquemia subendotelial que pode se estabelecer. Os pacientes podem apresentar aumento do diâmetro ventricular esquerdo e diminuição da fração de ejeção. Os sintomas mais comuns são aqueles relacionados à insuficiência cardíaca, especialmente dispnéia, e palpitações. As principais regiões acometidas são o ápice cardíaco e as paredes medioventriculares inferior e lateral do ventrículo esquerdo, causando hipocinesia dessas áreas.

A morbidade e mortalidade associadas à doença são altas, sendo que as causas de morte mais freqüentes são, em ordem decrescente:arritmias ventriculares, insuficiência cardíaca, eventos tromboembólicos e insuficiências coronarianas.

Alterações do eletrocardiograma estão presentes na grande maioria dos casos (94%, segundo Oechslin). Embora altamente inespecíficas, incluem: traçados compatíveis com bloqueio de ramo esquerdo (44%) e alterações de repolarização (35%); fibrilação atrial crônica também podem ser encontradas (26%), bem como bloqueio de ramo direito (12%).
O principal e indispensável exame para diagnóstico de IVNC é o ecocardiograma, cujas alterações adotadas como critério são uma parede ventricular esquerda espessada, hipocinética, consistindo basicamente de duas camadas distintas: uma epicárdica, fina e compactada externamente e outra interna endocárdica, espessa e não compactada, onde se visualizam trabeculações proeminentes e profundos espaços intertrabeculares; uma razão de proporção maior que 2,0 entre as camadas não-compactada/compactada faz o diagnóstico de IVNC.

Se, neste caso, analisarmos isoladamente o ECG e o vetocardiograma, fica muito sugestiva uma SVD. Contudo, aos resultados da RM solicitada, não se nota alteração da espessura do VD, mas sim uma falta de compactação do miocárdio do VE, além de trabeculações proeminentes e profundos recessos intertrabeculares, alterações bastante compatíveis com a IVNC. Como as alterações eletrocardiográficas da IVNC são altamente inespecíficas (neste caso, por exemplo, não estão presentes os achados de ECG mais freqüentes da IVNC), a análise isolada do ECG e do vetocardiograma pode simular e levar equivocadamente a outros diagnósticos (como uma SVD no presente caso).

Portanto, o diagnóstico de IVNC não poderia ser realizado unicamente com as alterações eletrocardiográficas do paciente, de forma que só a associação de achados clínicos, bem como a pertinente investigação com outros exames complementares tornam possível o diagnóstico correto deste caso.

Colaboradores: 

Rafaela Alkmin da Costa - Acadêmica 3º ano da FMUSP 
Valter Dell’Acqua Cassão - Acadêmico 3º ano da FMUSP


Ressonância Magnética do Ventrículo Esquerdo – não-compactação miocárdica do VE e profundos recessos intertrabeculares
Referências:
1. Oechslin E, Attenhofer Jost CH, Rojas JR, et al. Long-term follow-up of 34 adults with isolated left ventricular noncompaction: a distinct cardiomyopathy. J Am Coll Cardiol 2000;36:493-500.

2. Jenni, R 1; Oechslin, E 1; Schneider, J 2; Jost, C Attenhofer 1; Kaufmann, P A. Echocardiographic and pathoanatomical characteristics of isolated left ventricular non-compaction: a step towards classification as a distinct cardiomyopathy. Heart. 86(6):666-671, December 1, 2001.

3. VARNAVA, A M. Isolated left ventricular non-compaction: a distinct cardiomyopathy? Heart. 86(6):599-600, December 1, 2001.

4. McCrohon, J. A. FRACP, PhD; Richmond, D. R. MBChB, MSc, FRACP; Pennell, D. J. FRCP, MD; Mohiaddin, R. H. FRCR, PhD. Isolated Noncompaction of the Myocardium: A Rarity or Missed Diagnosis? Circulation. 106(6):e22-e23, August 6, 2002.





Dr.Carlos Alberto PastoreA Eletrocardiografia tem demonstrado durante seus 100 anos de vida que é uma importante ferramenta para auxiliar os cardiologistas. Já conhecida por sua excelência nas arritmias e na insuficiência coronária aguda, observamos atualmente a sua participação nos métodos diagnósticos para prever a morte súbita. A informatização do eletrocardiograma forneceu medidas mais corretas, agilizou a obtenção das informações, integrou-as, facilitando assim a interpretação. Analisar um eletrocardiograma com cuidado, extraindo o melhor possível, é um desafio diário para o cardiologista clínico . A finalidade desta seção é estimular a discussão, procurar novos detalhes nos traçados que se correlacionem com a clínica, definir padrões característicos, pois após tantos anos, ainda temos a sensação que sempre existirá alguma novidade no eletrocardiograma.

Dr.Carlos Alberto Pastore
Presidente do Grupo de Estudos de Eletrocardiografia da SBC

Prof. Dr. João Tranchesi Homenagem ao Prof. Dr. João Tranchesi
João Tranchesi morreu.....
Viva João Tranchesi !!
Homem.Forte.Amigo.Inquebrantável.Inesquecível






Como homenagear então uma personalidade tão criativa, vibrante e produtiva como a de João Tranchesi?, ou JT como os mais próximos o tratavam e ele mesmo se intitulava. 

Seria oportuno rever suas conquistas de início de carreira quando foi para o Instituto Nacional de Cardiologia do México, de grande prestígio científico na época, pelos trabalhos coordenados pelo sempre relembrado Prof. Chávez, para de lá trazer para o Brasil as bases dos modernos métodos gráficos de estudo das cardiopatias?
Ou seria melhor focalizar sua obra “Eletrocardiograma Normal e Patológico – Noções de Vetorcardiografia”, um livro de sucesso marcado por diversas edições que tanto contribuiu para a formação técnica de milhares de cardiologistas do país e de nações vizinhas?
Talvez fosse mais apropriado ressaltar suas teses sempre aprovadas com rara distinção, como a de seu doutoramento: “Considerações sobre Ritmo Ectópicos Atriais: originadas em zonas próximas à do seio coronário”.

Outros poderiam querer valorizar sua posição de Livre-Docente de Clínica Médica da Fac. de Med. da USP e Chefe do Serviço de Métodos Gráficos do Hosp. das Clínicas da FMUSP, depois transferido para o InCor- Instituto do Coração, onde ganhou a dimensão de Divisão de Eletrocardiologia. 

Os mais políticos, no entanto, certamente gostariam de priorizar suas atividades como Editor dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia e Presidente do FUNCOR, e seus tantos outros serviços prestados à Sociedade Brasileira de Cardiologia. 
Diante desse universo de realizações maiores em benefício da Cardiologia, sobretudo brasileira, João Tranchesi, o professor cordial e prestativo de sempre, continuava ali, ao nosso lado, ensinando e mostrando os caminhos mais didáticos para orientar o progresso da Eletrocardiologia em todas as suas nuances de aplicação prática no diagnóstico clínico das doenças do coração. 

Ele foi vencido por doença insidiosa de longa evolução, contra a qual lutou com coragem, persistência, disciplina, as mesmas características de sua personalidade. 
Tanto isto foi realidade que, como bom esportista, faleceu logo após um jogo de tênis. 
Sem enumerar muitas outras contribuições, a imagem de JT é a do grande pioneiro e lider de várias gerações de médicos do país e do exterior. 
A vida que lhe retribuíra generosamente o esforço, lhe frustaria tirando-o prematuramente de nosso convívio. 

Como homenagem, nos restava, portanto, apenas a prazerosa tarefa de reunir Casos Clínicos mais complexos para o raciocínio cardiológico que, de certo modo, caracterizam as quase quatro décadas de aplausos sempre gratificantes ao “ Colóquio João Tranchesi de Eletrocardiografia”- Um clássico-., uma iniciativa pioneira que permanece como um estímulo constante para as nossas realizações no Serviço de Eletrocardiologia do InCor. 

Prof. Dr. Paulo Jorge Moffa

Editores da Seção:
Carlos Alberto Pastore – Instituto do Coração do Hospital das Clinicas da FMUSP
Av. Dr. Eneas C. Aguiar, 44 – CEP 05403-000 – São Paulo, SP – E-mail: ecg_pastore@incor.usp.br 

Paulo Jorge Moffa – Instituto do Coração do Hospital das Clinicas da FMUSP
Av. Dr. Eneas C. Aguiar, 44 – CEP 05403-000 – São Paulo, SP –E-mail: moffa@incor.usp.br

Cesar José Grupi – Instituto do Coração do Hospital das Clinicas da FMUSP
Av. Dr. Eneas C. Aguiar, 44 – CEP 05403-000 – São Paulo, SP – E-mail: cesargrupi@incor.usp.br 

Antonio Américo Friedmann – Serviço de Eletrocardiologia do HCFMUSP
Av. Dr. Eneas C. Aguiar, 155 – CEP 05403-000 – São Paulo, SP – E-mail: ecgpamb@hcnet.usp.br




Voltar

 
 Fale com o Cardiol.br Sociedade Brasileira de Cardiologia, 1996 - 2008, Todos os direitos reservados