HISTÓRIA DA REVISTA

Nos primeiros anos de sua existência, o grande desafio da Sociedade Brasileira de Cardiologia foi a organização de seus congressos, de modo a torná-los regulares e produtivos, o que, para aquele tempo, era uma tarefa complexa e abrangente, principalmente devido às dificuldades de transporte e comunicação então vigentes.

O segundo trabalho de maior relevância foi a criação de um órgão de divulgação próprio, uma vez que os já existentes na Europa e nos Estados Unidos tinham grande penetração nos meios acadêmicos brasileiros, mas não alcançavam a massa de médicos que aqui praticava Cardiologia, sobretudo representada por clínicos gerais.

A idéia de um órgão de divulgação foi logo colocada em prática, criando-se uma revista que, na época, representava uma autêntica ousadia já que pertencia a uma Especialidade ainda emergente, pois, na maioria dos centros médicos, a Cardiologia ainda fazia parte da clínica médica. Tal iniciativa atesta que, os fundadores da SBC pensaram, desde o início, na necessidade de um veículo que pudesse registrar e divulgar os eventos e trabalhos científicos produzidos por seus membros. Assim, na Ata de fundação, em 14 de agosto de 1943, registrada no Livro de Atas número 1 (verso), a primeira Diretoria da SBC, tendo à frente a figura de Dante Pazzanese como seu primeiro presidente, já incluía o cargo de Diretor de Arquivos, que nada mais era do que o responsável por uma revista de divulgação das atividades da Sociedade e de seus membros, então existente apenas como idéia. Esse primeiro Diretor foi Leovigildo Mendonça de Barros. Porém, por motivos financeiros, a revista não foi editada nos anos seguintes. No Livro de Atas número 1, página 21 (verso), está registrado que, em 29 de julho de 1946, na 3ª Reunião Anual da SBC, realizada em Belo Horizonte, MG, foi eleita a nova Diretoria, quando aparece, pela primeira vez, o nome de Jairo Ramos para “Diretor de Arquivos” e num trecho da Ata está assentado o seguinte:

“Proposta de Dante Pazzanese e Luiz V. Décourt para um Comitê de Redação para a revista da Sociedade, os Arquivos Brasileiros de Cardiologia que sairia quando houvesse matéria, com preferência para os artigos apresentados à Sociedade. Aprovada. O Comitê de Redação será o seguinte: Diretor dos Arquivos: Jairo Ramos. Redatores auxiliares: Luiz V. Décourt, Reinaldo Marcondes e Leovigildo Mendonça de Barros. Conselho de Redação: Dante Pazzanese, R. Chiaverini, S. Bertacchi, José Ramos, R. Menezes Oliveira, Genival Londres, Aarão B. Benchimol, Caio B. Dias, Bernardo Magalhães, Aldo S. Chaves e Adriano Pondé.”

Segundo consta, o nome “Arquivos Brasileiros de Cardiologia” foi sugerido por Jairo Ramos e prontamente aceito pelos membros da SBC, provavelmente por influência européia, sobretudo da Medicina francesa (do “Archives de Maladie du Coeur”).

Para acertar a relação entre esse novo órgão e SBC, e após discussões sobre várias opções apresentadas durante uma assembléia, foi deliberado que fosse acrescentada a frase "Sob os Auspícios da Sociedade Brasileira de Cardiologia", posteriormente mantida por muito tempo.

A Ata da 4ª Reunião Anual da SBC, em 7 de julho de 1947, realizada em Salvador, BA, registrada no mesmo Livro de Atas, não faz nenhuma referência aos Arquivos. Mesmo assim, a partir dos esforços desses cardiologistas surgiu o primeiro número dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, no primeiro trimestre de 1948, quando o representante de Minas Gerais, Octávio Magalhães, era o presidente da SBC. Com tiragem de 600 exemplares, constava de um volume com sete artigos distribuídos em 112 páginas, sendo cinco catalogados como "Trabalhos Originais", um como "Caso Clínico" e um como "Conferência".

O trabalho que apareceu na página 1 do volume 1 trazia o título "The electrocardiographic evidence of local ventricular ischemia", assinado por Robert H. Bayley e Jolm S. La Due, de Oklahoma City, Estados Unidos. O segundo trabalho, incluído a partir da página 19, foi uma revisão de Dante Pazzanese intitulada "A estrofantina no tratamento da insuficiência cardíaca", em cujo rodapé estava escrito "Chefe do Serviço de Cardiologia do H. Municipal de São Paulo", que, segundo consta, foi o primeiro serviço organizado da Especialidade no Brasil.



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A equipe responsável por esta seção inaugural é apresentada na figura 2, revelando nomes diferentes daqueles indicados anteriormente.

No número 2, de junho de 1948, aparecia o trabalho “Consideraciones en relación com la repolarización auricular” de Jorge Sobrerón, Enrique Cabrera e Maria Victória de la Cruz, sob a tutela de Demétrio Sodi Pallares, proeminentes investigadores da escola mexicana que dominava a Cardiologia da época e que tinha grande influência no meio brasileiro. A partir desses primeiros números, a até os dias atuais, os Arquivos vêm mantendo absoluta regularidade e alta qualidade editorial, além de apresentação gráfica adequada. Sua periodicidade inicial foi de quatro números anuais; de 1960 a 1978 tornou-se bimestral e, a partir de 1979, passou a ter circulação mensal. Representa também a única revista brasileira mensal indexada no “Index Medicus”.



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A par de sua circulação regular, a partir de 1957, começaram a ser editados suplementos, que se tornaram anuais a partir de 1963, publicando os resumos dos trabalhos apresentados nos Congressos da SBC.


Tiragem, formato e publicidade

A tiragem inicial dos Arquivos foi de 600 exemplares, mas entre 1967 e 1972, já passou para 2.500. de 1972 a 1980 chegou aos 3.500 e, em 1981, alcançou a significativa cifra de 5.000 exemplares por mês. Sua tiragem atual é de 11.000 exemplares.

Desde a sua criação, os Arquivos mantiveram-se em sintonia com a evolução das apresentações gráficas. No início, exibia o formato retangular de 15 x 21cm (fechado), passando, em 1967, para 17,5 x 27,5 e, desde 1984, adotou o formato atual, de 21 x 28cm (fechado), a exemplo do que ocorre com a maioria das revistas médicas de circulação mundial.

Os resumos dos congressos da SBC começaram a ser publicados a partir de 1948, com 77 trabalhos apresentados na “5ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Cardiologia”.



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A veiculação publicitária, suporte financeiro imprescindível para qualquer órgão de divulgação, passou a fazer parte dos Arquivos na edição de Fevereiro de 1962 com anúncios em Preto e Branco e só à partir de Agosto de 1964, com anúncios coloridos. Tais anúncios eram por vezes, curiosos e pitorescos. A Figura 4 exibe um anúncio que, pelos padrões atuais, é no mínimo curioso, pois mostra uma propaganda de Digitofix, derivado da Digitalis purpúrea, usado até hoje, embora em outras formas de apresentação e com dosagens diferentes. A dosagem então divulgada “cada comprimido contém 1 dose gato” revela muito bem a precariedade dos critérios de posologia da época, pois significa dizer que cada comprimido continha uma quantidade capaz de fazer fibrilar o coração de um gato, sem levar em consideração as variáveis do animal. Na Figura 5 aparece a promoção de um modelo de eletrocardiógrafo usado naqueles tempos.