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COMENTÁRIO:
DR. ANTONIO NÓBREGA
Título
do artigo: Medicina Psicossomática
Autor:
Prof. José Barbosa Corrêa – Catedrático de Clínica
Médica da Escola Paulista de Medicina
Arquivos
Brasileiros de Cardiologia 1948;1(2):159-163.
O
artigo da série Conferências dos Arquivos de autoria
do Prof. José Barbosa Corrêa foi publicado no segundo
número do periódico em 1948, mesmo ano do seu
falecimento. Nascido na virada do século retrasado
(1899) e falecido precocemente aos 49 anos de idade,
Prof. José Barbosa Corrêa deixou registrado nos
Arquivos, este artigo na forma de ensaio, o qual destaca
a importância de "ver sempre no doente não apenas
um órgão ou um sistema lesado, mas um todo integrado
de modo igual pela parte somática e pela
psíquica". Em outra parte escreve "O que
adoece e sofre não é um órgão ou sistema – é uma
pessoa", ou ainda "A doença é da pessoa
humana". Nada mais simples, verdadeiro e ATUAL.
Poderia ser a primeira máxima em Medicina! Prof.
Corrêa segue comparando o "saudoso médico de
família" com o "clínico moderno".
Atribuindo a facilidade de transporte e o intenso
intercâmbio das populações, enfatiza que os clínicos
"atuais" conhecem a história de seus
pacientes somente pelo o que lhes é contado pelo mesmo
e, portanto, sujeito a distorções e omissões. Isto
dificulta o diagnóstico e "quando os órgãos se
recusam a revelar a sede do mal, o doente recebe o
rótulo de nervoso".
Prof.
Corrêa continua o artigo sentenciando que "As
relações entre os estados emotivos e o coração foram
universalmente conhecidos em todas as épocas. É de
fácil aceitação, conseqüentemente, por parte do
cardiologista, a afirmação de que o aparelho
circulatório é um ótimo campo para manifestações de
distúrbios de origem psíquica...Êsses distúrbios
manifestados no coração serão exacerbados ou sedados
conforme se irritam, se agravam ou se acalmam os fatores
psíquicos". Sigmund Feud já havia destacado a
relação mente-corpo como um eixo central no impacto da
psicanálise na doença orgânica e hoje, dentre os
diversos desafios da vida moderna no século 21, o
estresse destaca-se por não poupar raça, cor, credo ou
nível sócio-econômico. Portanto, conhecer o impacto
do estresse sobre o sistema cardiovascular deveria fazer
parte da rotina do cardiologista. A pesquisa fundamental
e clínica investiga intensamente o tema: uma busca no
PubMed com o unitermo mental stress resulta em
48.268 referências! Além disto, métodos já foram
validados e estabelecidos há muitas décadas, como o Stroop-color
e aritmético. Prof. Corrêa publicou em 1948 um artigo
incisivo sobre o assunto. Entretanto, somente agora o
clínico começa a reconhecer a importância de
quantificar a reatividade cardiovascular ao estresse,
identificando os indivíduos hiperreativos pressóricos
e aqueles que manifestam isquemia miocárdica. Aos
interessados, os Arquivos publicaram em 2002 uma
revisão sobre o assunto escrito por nosso grupo de
pesquisa na Universidade Federal Fluminense [Loures DL
et al. Estresse mental e sistema cardiovascular. Arq
Bras Cardiol. 2002;78(5):525-30].
Portanto,
acompanhemos a riqueza e profusão de conhecimentos
fisiopatológicos e tecnológicos da atualidade, mas
enriqueçamos nossa prática cardiológica trazendo para
os dias de hoje os ensinamentos do Prof. Corrêa
"Todo médico que possui noção de
responsabilidade profissional, que deseja realmente ser
útil, há de sentir a necessidade de acompanhar a moderna
tendência".
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